Governo do Distrito Federal
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20/12/17 às 10h20 - Atualizado em 29/05/18 às 14h46

Depoimento sobre doação de medula óssea abre semana de mobilização

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Viviane Rezende doou medula óssea para um paciente da Inglaterra

A abertura da Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea na Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) na última segunda-feira (18) homenageou uma doadora que passou pela experiência de ser convidada para doar medula óssea no início de 2017. Viviane Rezende, 34 anos, é cadastrada no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) desde 2010 e contou como foi sua experiência.

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Doadora Viviane Rezende recebe homenagem do

Hemocentro na abertura da Semana de

Mobilização Nacional para Doação de

Medula Óssea

Em maio deste ano, ela recebeu uma ligação do Instituto Nacional de Câncer (Inca) por ter compatibilidade com um paciente da Inglaterra. “Isso me deixou surpresa, por causa da miscigenação do Brasil”, explicou. Ela compareceu ao Hemocentro para fazer exames complementares. A doadora recebeu medicação alguns dias antes da doação para aumentar a produção da medula óssea.

Há duas formas de fazer a coleta: por meio de punção nos ossos da bacia – procedimento que requer anestesia e é feito em centro cirúrgico – ou por aférese, uma máquina que “filtra” o sangue colhido diretamente da veia do doador e separa as células-tronco, devolvendo os outros elementos de volta à corrente sanguínea do voluntário. Para realizar a doação de medula óssea, Viviane foi atendida no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF). A equipe médica optou pela aférese. O procedimento levou cerca de seis horas e transcorreu normalmente.

 

Doar não dói

Embora constantemente desmentida por doadores, a doação de sangue e medula óssea é julgada como dolorida. “A única dor que eu senti foi o osso do quadril dilatando, mas não foi nada anormal. Quem já foi mãe sabe quem foi bem tranquilinho”, enfatizou Viviane. Para ela, o ato de ajudar um paciente é mais importante. “Você se põe no lugar do outro e pensa ‘nossa, a dor que eu vou sentir aqui é mínima em relação à dor que ele [paciente] está sentindo’”, pontuou.

Para o diretor-executivo do Hemocentro, Jorge Vaz, é preciso não só encorajar o ato de doação de sangue e medula, como lembrar os voluntários de atualizar as informações de contato, para que o doador seja localizado. A chance de encontrar um doador compatível é de uma em cada 100 mil pessoas, em média. “Isso significa que podemos encher o Estádio Nacional Mané Garrincha e, ainda assim, não encontrar uma medula compatível. É uma realidade dolorosa para quem está aguardando pelo transplante”, alertou o diretor.

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Em seu discurso, o médico Jorge Vaz, diretor-executivo do Hemocentro,

lembrou como é difícil encontrar um doador compatível.

 

#TamoJuntoMichel

Em 2015, Brasília conheceu de perto a importância da doação de medula óssea por meio do militar Michel Maruyama Nascimento. Ele sofria de leucemia mieloide aguda e precisava de um transplante. Por meio da campanha #TamoJuntoMichel nas redes sociais, houve grande mobilização. O paciente chegou a fazer o transplante de medula óssea graças a um doador dos Estados Unidos, mas a doença retornou com mais força e Michel Nascimento não resistiu, morrendo em março deste ano.

O pai, Mario Nascimento, participou da cerimônia de abertura no Hemocentro e se emocionou com o depoimento da doadora Viviane Rezende. “Há menos de quatro anos, eu não conhecia nada sobre doação de medula óssea”, relatou. O interesse veio após o diagnóstico da doença do filho. “Nesse período, nós pudemos vivenciar todo o trabalho e profissionalismo de equipes como o Hemocentro de Brasília, que nos ajudou na campanha de doação #TamoJuntoMichel”, comentou.

Mario Nascimento contou que Michel e outros quatro pacientes criaram a organização não governamental A União Traz A Cura, com sede em Curitiba (PR), a fim de incentivar a doação de medula óssea e compartilhar depoimentos de voluntários, auxiliando mais pacientes. Emocionado, o pai de Michel agradeceu os servidores do Hemocentro. “Eu não tinha ideia do valor desse trabalho para amenizar a dor, o sofrimento em benefício da saúde das pessoas. Quero parabenizar todos por essa data, é uma comemoração da vida”, frisou.

 

Seja o presente de alguém

O secretário-adjunto de assistência à saúde da Secretaria de Saúde, Daniel Seabra, ressaltou que a campanha de mobilização deve “aproveitar o Natal, quando as pessoas estão mais propensas a fazer o bem” e estimular o cadastro de voluntários. “Eu já estou no banco do Redome, espero um dia poder contribuir como doador, assim como a Viviane”, endossou o secretário.

Para a biomédica e supervisora da agência transfusional do ICDF, Melina Romanini, “é muito gratificante receber o feedback dos doadores”. Ela participou do procedimento de coleta de Viviane. Aproveitando a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, Melina comunicou que, para atender a demanda transfusional, o Instituto de Cardiologia do DF vai abrir mais leitos em 2018 com apoio do Hemocentro, cuja equipe orientou o ICDF na elaboração de protocolos.

 

Doação de sangue e medula

doe-medula-ossea-2017Quem estiver interessado em se cadastrar como doador de medula óssea deve comparecer ao Hemocentro com documento de identidade oficial com foto. Após orientações sobre o procedimento, é coletada uma amostra de sangue para o exame de histocompatibilidade (HLA), que identifica as características genéticas do doador. Essas informações e os dados cadastrais do doador são enviados para o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

O Hemocentro está localizado Setor Médico Hospitalar Norte, quadra 03, conjunto A, bloco 03 (Asa Norte). O atendimento para doação de medula óssea e de sangue acontece de segunda a sábado, das 7h às 18h, e pode ser agendado pelo telefone 160, opção 2.

Fundação Hemocentro de Brasília - Governo de Brasília

FHB

Setor Médico Hospitalar Norte, quadra 3, conjunto A, bloco 3. Asa Norte, Brasília-DF. CEP: 70.710-908.